O garoto, o mar e os sentidos
Esta me foi contada há muito tempo, e dizia mais ou menos assim :
“ um garoto beduíno , de dez e poucos anos, nunca tinha visto o mar.
Seu pai e seus tios já tinham visto e lhe contavam sobre o tamanho e a cor do mar.
Além do barulho das ondas, do cheiro, do gosto da água salgada e do céu.
Coisas muito diferentes do que eles viam em suas andanças pelo o deserto.
Eles sempre diziam que um dia ele veria também o mar. E ele sonhava com esse mar.
Conhecedores do tempo e das distâncias, certa vez disseram: o mar está próximo, há um dia de viagem ou menos!
Ele se lança na frente e com rapidez quer ver esse mar, esse “deserto de agua” como seu pai e tios diziam.
Ao chegar no alto da última duna ,entre o deserto e a praia, ficou estarrecido e logo que pode gritava o mais alto que conseguia :
Pai, tios corram , venham rápido...me ajudem a ver e ouvir esse mar”!
Um Vale
Meu vale é um espaço entre duas cordilheiras de montanhas. Ele tem um rio.
Bem grande. E vários pequenos que a gente pode chamar de “corguinho”.
Quase sempre tem um rio nos vales. Lá na sua parte mais baixa.
E pessoas. Ah !, bichos também.
Em suas encostas se vêm quaresmeiras de todas as cores, brancas ,roxas, mais ou menos roxas, lilases. Todas esparramadas como se um pintor impressionista tivesse, displicentemente, salpicado seus pincéis numa tela de matizes verdes !
É bonito de se ver!
Na margem direita a gente pode ver os contornos de uma serra e na margem esquerda os de outra serra.
Contornos esses que ,dependendo da altura do Sol ou da Lua ,parecem o recorte de alguém com preguiça, bem largadão!
Do alto, essas serras mais parecem duas mãos ,em concha, pegando aquela linha de água!
Tem lugar que ela é cheia, tem lugar que é fininha, tem lugar que ela some, tem lugar que ela aparece...
Até podia ser uma linha da vida ou do destino ,de todos nós.
E da mãe terra, e agora sim , de todos nós também!
O meu vale é acolhimento!
Marco Mammoli


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